Já lá vão três dias de formação e os resultados não podiam ser melhores. As aulas são muitíssimo práticas e estamos sempre a fazer cenas ou ver os outros a fazer. A prof. Kate Duffy é ultra-motivadora, consegue incentivar toda a gente, realçar o que fizemos bem, mas ao mesmo tempo toma notas das cenas e no fim sabe apontar aspectos a melhorar.
No segundo dia aprendemos jogos de abertura de Harold (monólogos interactivos, Rants, invocações). As invocações são particularmente interessante e ensinam-nos como pegar na sugestão mais básica e elevá-la a conceitos universais. Isso faz com que, em vez de fazer uma peça sobre "colar", podemos ter uma peça sobre assuntos mais vastos e profundos como o sentido da moda, os enganos nas relações, o suborno, heranças, etc. É o grupo que faz esse crescimento e ele pode tomar qualquer rumo, dependendo de inúmeros factores. Por exemplo, num exercício, a sugestão "maçã" levou o grupo a ir para a tartes de maça, que levou às avós, que levou à família. E o Harold que se seguiu teve cenas que envolviam avós, filhos, netos. Seguiu-se uma sequência de monólogos sobre a morte dos entes queridos (ou a possibilidade de...) e uma segunda leva de cenas, desta vez influênciadas pelos monólogos, etc...
Um Harold é uma experiência única, que dificilmente se pode explicar por palavras. Ao ler o Truth in Comedy percebi que era algo especial, complexo e abstracto, mas quando se faz mesmo, aí sim, compreendemos o que é aquilo. É como uma estrada que não sabemos onde nos vai levar, mas que percorremos com muito gosto, escolhendo caminhos, influenciados pela paisagem que nos rodeia e os caminhos que escolhemos transformam a paisagem. O espírito de grupo é importantíssimo e todos devem trabalhar para ajudar a cena, evitando o individualismo. Há partes cómicas mas também pode haver momentos dramáticos. E no fim tentamos fazer um apanhado de vários elementos que aconteceram ao longo da peça e encontrar um final.
Pronto, já falei muito sobre Harold por hoje. Ainda tenho um mês pela frente para explorar o assunto.
Tenho visto alguns espectáculos interessantes. Vi um que me chamou a atenção porque eram dois actores a levar a cabo uma história. E fizeram várias personagens. Foi quase um bipolar long-form, só que eles até assumiam personagens do parceiro e tudo. A história desenrolou-se lindamente, com coerência, graça e situações positivas de conflito. Muito bom!
Agora tenho de ir para as aulas. Que me perdoem os não-actores que visitam o blog, não tenho muito mais para contar para além da formação, porque não havido espaço para nada mais. Espero no f-d-s ir dar uma voltinha por aí.
Saudades de todos!
cá está um 'não actor' com vontade de ir experimentar isso tambem :P
ResponderEliminarSeems awesome dude
Nuno Q
Sim senhor, vejo que os teus dotes de escritor não se limitam só aos do palco :) Vou ficar em pulgas até domingo à noite para saber os próximos capítulos das tuas aventuras.
ResponderEliminarAbreice broder!
Olha... não tinha pensado nisso... No bipolar era capaz de ser engraçado poder-se "abarbatar" as personagens do outro (de forma controlada) e fazer a nossa própria versão dessa personagem criada pelo outro...
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