sexta-feira, 14 de agosto de 2009

ATÉ BREVE, CHICAGO!


NAILED IT! - O exercício final correu bem, para grande alívio meu. Após um dia interiro a praticar Harolds cujo resultado (para meu desespero) foi bastante duvidoso, no exercício final o espírito de grupo veio ao de cima e conseguimos cenas de conjunto muito fortes. O nosso tema oferecido pelo público foi "Catholic School", que deu para explorar com algum à-vontade. No final, conhecidos e desconhecidos vieram dar-me os parabéns pelo bom trabalho apresentado. Os professores também estavam muito contentes, assim como a directora do iO, que veio ter comigo e teceu agradáveis elogios. :) Gostaram muito do meu director da escola maléfico, que elevou bastante a parada e serviu de fio condutor para a peça (que bem estava a precisar). Não posso estar mais satisfeito.
Os trabalhos foram gravados por um profissional, e em breve o DVD virá parar a Portugal. Vai ser óptimo para estudar alguns erros comuns nos grupos iniciados e algumas qualidades que ali se revelam.

REGRESSO A PORTUGAL - Dentro de algumas horas apanho o avião de regresso à pátria. Foi uma experiência extremamente proveitosa e inesquecível. Obrigado a todos os que acompanharam estes relatos e obrigado à GDA por me ter ajudado a concretizar este importante objectivo!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Tareia Final


Está quase a terminar o curso, está a chegar ao fim a aventura.
No fim-de-semana aproveitei para ir passear um pouco pela cidade. Comprei um tour ticket e meti-me naqueles autocarros abertos que correm a cidade. Foi óptimo! Depois ainda me fartei de andar. É muito agradável caminhar nesta cidade, existe "good vibe" aqui.

CURSO - Nesta última semana tivémos o prof. Carig Uhler, um veterano do improv e um dos elementos dos míticos Middle-Age Comeback. Nos primeiros dias levámos uma tareia. Ele foi um bocado "directo" e chamou-nos a atenção dos erros que estávamos a cometer. E não eram poucos. Até eu dei por mim a caír em armadilhas de cenas que já estava a habituado a detectar nos outros. Foi óptimo para percebermos que isto é uma arte difícil e sensível, e ao fim do dia já eramos mais espertos e estávamos mais atentos aos problemas. Por muitos livros que leiamos, por muitos workshops que frequentemos, por muitos espectáculos que visualizemos, no momento da cena só podemos contar com o nosso instinto. E esse precisa de experiência e maturação para absorver a teoria.
Não deve por acaso que os melhores improvisadores são os que andam nisto há mais tempo. E é frequente ver alunos formados em vários cursos a cometer erros grosseiros, tanto a nível individual como de grupo.
O Craig ontem pôs-nos a fazer exercícios para nos espevitar a capacidade criativa e ultrapassarmos o medo (insconsciente). Foi fantástico fazer peças em que não podíamos ser humanos. Porquê? Porque saltar para uma cena e fazer QUALQUER coisa que não é humana é ter de criar fisica e psicologicamente algo que foge ao racional. Já não podemos atacar uma cena como o "chefe de secção" ou o "marido controlador" ou "o militar que está na guerra". Não! Agora somos tudo e nada! Entrar em cena com um colega, assumir uma posição e ter que justificar o que estamos a fazer é uma tarefa do caraças! Difícil e recompensadora. Durante 40 minutos vi-me durante grande parte do tempo sem saber ao certo o que era ou o que estávamos a fazer e foi FANTÁSTICO! Faz com que uma pessoa apenas esteja no momento a criar e a trabalhar com os colegas para construir a cena. E houve momentos magníficos, que partiram de pontos abstractos. E as relações aconteceram à mesma! (it's not the what, who or where, it's the HOW)
Isto escrito assim é uma confusão, mas eu quis partilhar.

LÁ DO FUNDO - Tenho pensado e lido muito sobre o "medo" na improvisação. É incrível como está sempre presente e se manifesta das mais variadas formas, muitas das quais nem nos apercebemos. Os nossos sistemas de auto-defesa sociais, o auto-julgamento e a falta de confiança são os maiores obstáculos à capacidade criativa. E pior é que, por defesa, somos capazes de atacar e destruír, mesmo sem querer ou sem o saber.
E ignorante seja aquele que ache que estes sintomas pertencem aos amadores. Coloquem um "sr. actor" que esboçar um sorriso de escárnio sobre esta teoria a tentar improvisar e vos direi de que mil formas o senhor actor se tenta defender.
Oh, é tão mais fácil quando nos podemos esconder por detrás de um texto escrito, de um cenário montado e das "opções" do encenador. Se alguém não gostar do serviço prestado, quantos actores ouvimos assumir a sua culpa, verdadeiramente? Pois. Porque, na verdade, estão por detrás de tantas cortinas, que em caso de emergência basta fechá-las para que se tapem as vergonhas. Não digo isto com maldade, digo porque sinto a diferença entre ter de criar por instinto, numa posição frágil, e criar com elementos diversos que podem partilhar connosco o risco da (re)criação.

Para improvisar é preciso aceitar o desconhecido e a vulnerabilidade. É tão fácil como nos dispormos a ir nús para a rua numa noite escura...

TJ & DAVE - O último espectáculo a que assisti antes do regresso a Portugal. E que belo presente de despedida! Foi o melhor que eu vi deles. Teve muita técnica, muitas personagens, momentos absolutamente ternos e tocantes, teve momentos hilariantes e momentos negros. Foi magnífico e inesquecível. É incrível como dois homens sozinhos conseguem criar espectáculos mais ricos do que algumas peças do D. Maria com cenários de luxo e elencos de 20 actores...


Amanhã é o dia da apresentação. Não estamos nervosos, aquilo vai ser uma celebração do culminar de uma bonita aventura. Temos o instinto, a ajuda dos colegas e algumas cadeiras para fazer do nada um belo todo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Final do Nível 4


FINAL DO NÍVEL 4 - O tempo voa! Esta semana tivémos a professora Jet Eveleth, para inveja das restantes turmas. Jet é das artistas mais conceituadas aqui da praça, e percebe-se porquê. Tem uma abordagem muito zen, muito orgânica da arte da improvisação. Explora a fisicalidade como ninguém e entrega-se a 100% nas cenas. É sensorial e pratica ioga e meditação. Acredita na vontade dos "Improv Gods" e que se calhar todas as improvisações já estão escritas e que se estivermos atentos vamos conseguir concretizar os desígnios supremos.
Dito assim parece que ela é uma afectada, mas na realidade as aulas foram muito eficazes e práticas. Conseguimos perceber que existe, de facto, algo de místico num Harold. Se estivermos bem atentos às nossas próprias criações desde o início, podemos perceber que há padrões que se repetem, sons, imagens que teimam em regressar naturalmente nos momentos mais surpreendentes. E devemos saber explorar isso! Isto é difícil de explicar em texto, por isso vou só resumir o trabalho da semana:
- Harolds orgânicos (peças que partem do trabalho físico do grupo. Cenas a dois que saem da "massa" que depois são "engolidas" pela massa humana, que se transforma e volta a dar à luz uma nova cena, etc.)
- Iniciações: Aproveitar o primeiro segundo para a personagem: o primeiro movimento, o primeiro instinto, som, etc é o que vai ser a personagem inicial. Isto para mim foi uma lição muito importante, porque realmente resulta assim que conseguirmos superar o medo (o que leva tempo, por isso é que só na 4ª semana é que consegui verdadeiramente).
- Reconhecimento e exploração de padrões: O que acontece duas vezes tem de acontecer três. E o que acontece três vezes é um padrão. E o padrão é para explorar - tanto a nível individual como a nível de trabalho de grupo. É mágico revisitar (não quer dizer repetir) certas coisas.
- Stick to it!: Começaste uma coisa? Não abandones, investe! A justificação há-de chegar. Se fizermos as coisas com convicção, o público vai achar que existe uma razão.
- If we all look silly, no one looks silly.
- Verdade emocional no olhar: a melhor maneira de estabeler uma relação com o parceiro é trocar olhares e estabelecer uma cumplicidade. TJ & Dave são os reis desta técnica. Leva tempo.
- Edits e mais edits: O "edit" (o que corta uma cena para começar outra) clássico do Harold é o varrimento pela frente (um actor percorre o palco pela frente, de uma ponta à outra). A Jet ensinou-nos mais um monte de formas originais (e orgânicas) de fazer edits. Espectacular. Um grupo com bom entendimento consegue grandes resultados com edits arrojados (ex. edit interno: um dos actores que está em cena começa uma nova cena, alterando alguma coisa em si, e os outros percebem e seguem-no imediatamente para novas personagens que se adequam à proposta).

Um exemplo de uma cena muito bonita que fizémos num Harold:
Num dos edits internos, dois actores ficam frente a frente, como homem e mulher. Mudo de posição de fico de braços abertos atrás deles, em forma de cruz, com intenção de sinalizar uma igreja e eventualmente celebrar um casamento. Eles começam a discutir e a cena afinal parece passar-se na casa deles. Portanto fiquei pendurado, mas mantive a posição. Ainda pensei interromper e perguntar "isto quer dizer que já não há casamento?" mas resisti à gracinha e ali fiquei. Aquela posição, para o público poderia até signicar uma espécie de divisão, visto que tinha cada um simetricamente de um dos lados. No edit seguinte, um colega pega em mim e coloca o meu braço à volta dele, chamando por socorro enquanto me carrega para o hospital. A enfermaria apareceu rapidamente. O meu salvador trata-me por pai. O meu estado corporal levou a criar uma personagem atordoada. Ao olhar para ele, explico ao enfermeiro que aquele não é meu filho, quero-me ir embora, etc. Enquanto filho e enfermeiro estão um bocado sem saber o que fazer, reparo que na outra ponta do palco está um colega sentadinho numa cadeira (optou por posicionar-se ali, eventualmente com intenção de começar uma cena nova ali. Mas os Deuses quiseram que a cena fosse outra e ele, muito bem, em vez de dar dois passos para o lado e sair de cena, ali se deixou ficar, com um ar muito sereno e convicto). Pergunto se "estão a ver aquela mulher a acenar". Eles olham à volta e olham para mim com ar de pena. Volto a insistir, adicionando que se "Vêem a mulher com trapos brancos". Foi o clique para um dos colegas de fora se colocar por trás da mulher e formar umas enormes asas. Agora tinha um anjo a voar para mim, apoiado por um coro angelical (colegas de fora) e eu a levitar para fora da enfemaria, a caminho do céu, enquanto pai e enfermeiro gritavam desesperados a "partida" do pai. Foi um momento tocante e absolutamente magnífico. Foi inventivo, com espírito de grupo e verdade emocional. Os anjos e o coro musicado mantiveram-se como elementos recorrentes do Harold.

Agora uma notícia triste: Infelizmente para o grupo e para o próprio, o nosso querido amigo Damon (o Australiano) teve uma rotura num joelho e vai ter de abandonar as aulas para regressar ao seu país. É triste ver partir um dos mais talentosos e entusiastas elementos do grupo. :(

OPEN COURT NIGHT - Na quinta-feira à noite fui com uns colegas ao Playgound, um espaço alternativo de Improv. Nessa noite era Open Court, ou seja, quem lá aparecesse para improvisar seria sorteado para entrar numa das três equipas e teriam de actuar. Foi muito divertido! Dividiram-nos em três equipas de 16 elementos, cada uma liderada por um improvisador experiente. Felizmente na minha equipa calharam 3 colegas da turma. Os outros eram-me desconhecidos, mas rapidamente ficámos amigos, durante o aquecimento de 10 minutos que fizémos, em círculo. A nossa actuação teria 18/20 mins. Cada equipa era livre de escolher um formato. A nossa lídera optou pela simples "montage" (fazer cena após cena, sem regras complicadas). Combinámos começar lento, com cenas a dois ou a três, de dois ou três minutos cada, e a partir daí começar a acelerar nas mudanças de cenas, de personagens, nas cenas de grupo, no devaneio.
Fomos a terceira equipa a apresentar e acho que fomos a melhor. Os outros atacaram o absurdo e esforçaram-se para chegar à piada. O nosso também atacou a piada mas esteve mais harmonioso. Tivémos repetições de padrões e presença do tema ("doces"). Ao principio estava um pouco nervoso e até achei que só ia fazer figuração, mas depois lá ganhei coragem e entrei, para ver o que acontecia. Fiz a terceira cena, com um desconhecido. Ele disse que estava desapontado comigo e tratou-me por filho. A exploração da cena explicou que o filho dança de forma estranha em frente aos colegas de trabalho do pai. Os que estavam de fora colocaram em cena funcionários e claro que eu tive que dançar, para desespero paterno (uma dança maluca, frenética e desesperada). No regresso ao presente, o pai ameaça começar a dançar também, e eu coloco a cena à entrada da minha escola e suplico para ele não me envergonhar, que é como quem diz "sim, sim dança também para eu ser humilhado". Este tema seria revisitado mais duas vezes: um homem estava a fazer uma cena com o actor que fez de meu pai. Era uma cena chefe-empregado. A dada altura, o chefe despede o empregado porque vão contratar um elemento que dança melhor. Muito bom! Toda a gente fez a associação. A terceira visita foi quando eu e uma mulher começamos uma nova cena. A corrente levou a que ela fosse uma louca que me perseguia desde há anos, que tinha a minha foto estampada na sua camisa, etc. Ela pede-me uma última dança e eu, pelo bem da cena, concedo. Lá estava eu, de novo, a dançar. Os outros colegas exploraram mais o tema dos doces, o que foi óptimo.
No final estávamos todos satisfeitos com o desempenho dos 5 colegas do iO. Conhecidos e desconhecidos vieram-me dar os parabéns pelo meu trabalho e, especialmente, pelos meus "dance moves". lol. Aqui na América fartam-se de gabar a minha "great physicality". E percebo porquê. Porque a maior parte dos improvisadores não vem do teatro clássico, usam mais a cabeça do que o corpo. E o actor de teatro sabe utilizar o posicionamento, a postura e o corpo como expressão. Para a maior parte deles, comunicar é dialogar, para mim não é só. :)


WORKSHOP POWER LISTENING - Sexta é dia de workshops e desta vez foi com Miles Stroth, um conceituado professor de Los Angeles. Foi bastante interessante e um bocadinho Mind-Bogling (adoro este termo). Aprendemos (pelo menos) duas coisas importantes:
- Fazer cenas Straight guy /Absurd guy: Se há um que é "maluco", o outro não deve ser maluco, deve fazer o papel do straight guy. E depois aprendemos técnicas para gerir esta relação e explorá-la convenientemente.
- Find your drive: What drives your character? É o que temos que descobrir na cena, o quanto antes, de forma podermos viver com a personagem de forma sustentada e não defraudarmos o público. (exemplo simplista: se determino que o meu objectivo é sentar-me na cadeira, podem acontecer muitas coisas, mas tudo o que faço tem esse objectivo em mente. Se, a dada altura, eu abandonar isso, o público vai estremecer, a personagem vai perder consistência e em breve o actor vai ficar assustado). Encontrar o "drive" para a personagem não é fácil, porque de início estamos a descobrir o quem, o quando, o onde, o como, etc. Mas a experiência agiliza os processos.

Del Close, o (falecido) criador do Harold uma vez comparou o Harold a "um grupo de pessoas a cair da escadas e a aterrarem de pé, no final". E é mais ou menos essa a sensação. :)


Isto está a ser francamente cansativo, mas não posso parar, não posso parar!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Chicago Improv Festival 2010!

"Os Improváveis" foram convidados para participar no Festival de Improv de Chicago, em Abril de 2010! AWESOME!!! Após algumas semanas de pesquisa, lá consegui encontrar-me pessoalmente com o produtor executivo do festival e apresentei-lhe o nosso projecto, com toda a honestidade e vontade de vencer. E voilá! Agora só falta a outra parte, que é arranjar apoios para a viagem... :) Vai ser uma oportunidade extraordinária de toda a equipa poder ver o que eu vi aqui e de Portugal mostrar à América as suas capacidades criativas!


STORYBOX - Este fim-de-semana fui assistir a Storybox, um espectáculo criado pelo Jonattan Pitts (o produtor executivo do festival). E foi marcante. Fiquei absolutamente encantado com o formato e com o resultado, tanto que voltei lá no Domingo. Storybox é um espectáculo que utiliza técnicas visuais e narrativas para contar uma história sobre uma personagem (tudo improvisado e criado no momento, claro). Existem 8 storytellers (ST), munidos de bastões de madeira e panos. Um deles é músico e serve-se de um órgão, uma viola e outros instrumentos. O público escolhe se quer ver uma história sobre um homem ou sobre uma mulher e tudo começa. A primeira fase é a da criação da personagem. Um a um, os ST vão adicionando informação (nome, idade, aspecto, características psicológicas, manias, posses, animais de estimação, profissão, o que lhes vier à cabeça). Esses dados são fundamentais e todos serão utilizados na história. Depois começa a narrativa com a personagem em acção. Um dos ST torna-se a protagonista e os restantes utilizam os paus e panos para construir cenário, objectos, animais, adereços, e até coisas mais abstratas (cheiros, pensamentos, olhares, etc.). Existe um trabalho muito forte do conjunto para conseguirem esse feito com tanto sucesso (sim, aquilo funciona mesmo e é lindo - os paus de madeira são fantásticos e servem para tudo, assim como os panos). Mas o que mais me fascinou foi mesmo a capacidade de eles contarem uma história tão bem contadinha, sem descarrilarem no disparate ou em soluções fáceis. Não existe um narrador fixo, pelo contrário - qualquer um pode narrar e adicionar informação, a qualquer momento (para isto é preciso alguma coordenação e espírito de grupo para que se oiçam e se sintam, para não se atropelarem). A protagonista é muito humanizada e aprendemos desde cedo a conhecê-la bem e a gostar dela. Outras personagens que apareçam são descritas pelos narradores (idade, profissão, etc). Existem sub-histórias que são exploradas, existem saltos no espaço, muitas localizações e personagens. Há momentos para rir e momentos para chorar. Foi verdadeiramente emocionante ver a protagonista a passar por alguns maus bocados e depois conseguir encontrar-se e tornar-se uma pessoa diferente.
Resumindo, Storybox é um espectáculo (de mais ou menos 90 minutos, sem intervalo - que passa num instante) com uma estrutura complexa que exige um grupo sólido e coordenado. Ao contrário dos restantes espectáculos de Improv, este precisa mesmo de actores com formação de teatro e é aquilo cujo resultado final mais se assemelha com um espectáculo de Teatro convencional. Pode-se dizer que pertence a outro nível, mais artístico, menos dado à comédia e que funde bem as qualidades do Improv e do Teatro. No fim desfiz-me em elogios ao Jonatan, disse-lhe que isto é o Teatro do Futuro: verdadeiro, criativo, que depende da técnica, do espírito da equipa e do instinto do actor. Ele gravou-me um DVD com um dos espectáculos que eu vi. A gravação é fraquita, mas dá para ter uma noção.


CONTO DE FADAS IMPROVISADO - Aproveitei as insónias para me levantar da cama e ir para o iO às 10h30 da manhã ver isto. Foi uma experiência engraçada. Infelizmente estava muito pouco público na platéia (10 crianças e 10 adultos, para aí), mas para a minha pesquisa isso não fazia diferença. Storytown conta com um elenco muito maior do que eu esperava: 4 actores, 1 apresentador/narrador, 1 músico ao piano e 1 cenógrafo (que faz corte, pintura e colagem de cartolinas que depois servem de adereços). Foi giro, usaram bem as ideias das crianças e criaram uma história dentro daquilo que são as peças para crianças (menina que quer ser famosa e não quer ir à escola, um animal, uma fada-madrinha e um vilão que no fim fica bom). A sugestão de local foi Paris e aproveitaram isso muito bem. Ah, e fazem um pouco de improv musical, etc. Interessante, sem dúvida.

WHIRLED NEWS TONIGHT - Estes eram os tais que faziam improv a partir de notícias de jornal que o público recorta e coloca num placard. Só vi a primeira parte, confesso que não me fascinou, talvez mais por eles. A ideia está certa: pegar numa notícia, ler o cabeçalho e o primeiro parágrafo e fazer cenas baseadas na notícia (não confundir com recriar directamente a situação da notícia). O que me chateou é que eles eram muito gag-makers, não sei, eram muito Second City.

SECOND CITY - Para clarificar o ponto anterior: Second City é uma instituição importante no panorama artístico americano. Formaram vários comediantes importantes e fornecem muito material para humor televisivo (Saturday Night Live, Mad TV, etc). Têm escolas em Chicago, Toronto e Los Angeles. A nível de Teatro, o seu principal negócio é o Sketch-Show, mas marginalmente fazem shows de improv. Normalmente os improvisadores percorrem os 3 centros de treino de Chicago (iO, Annoyance e Second City), sendo que cada um tem as suas especificidades: O iO é o long-form por excelência e tem o melhor estatuto intelectual; O Second-City é a máquina comercial que utiliza o improv como meio de testar e aperfeiçoar o sketch, e o Annoyance é o improv experimental e vanguardista. O Second City, não sendo o mais aliciante para os actores, é o que oferece melhores condições, por isso muitos vão lá parar. Como formação, o Second City oferece um curso misto: de escrita e improv. De manhã escrevem sketches, à tarde testam. O que resulta no actor é que ele se torna mais calculista em cena, uma máquina de gag-per-minute. Falta-lhe a verdade e a teatralidade (que, na verdade, só no teatro é que se aprende - e eu acho que faz a diferença).

OUTROS - Voltei a ver os Deltones, desta vez com o elenco principal, e agora sim, vi um improv musical com graça. Voltei a ver o Middle-Age comeback, não foi tão bom como na semana passada. E voltei a ver o 3033, que na semana anterior foi perfeito e esta semana foi bastante bom. Vi os Deep Schwa, que são o grupo mais doido que anda aí. Foi alucinante a forma como se divertiram a quebrar a estrutura e fazer daquele epectáculo uma trip pastilhada. E também vi alguns maus Harolds. Ai, é tão penoso quando aquilo não é bom... ver espectáculos sem substância, com o grupo dividido a lutar pela sobrevivência. Uffff...

Tinha mais coisas para dizer, mas acho que já chega.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Final do nível 3

E pronto, o tempo voa e já lá vai mais de metade do curso!

NÍVEL 3 - Já nos tinham dito que neste nível íamos ficar baralhados e questionar tudo e até duvidar de nós. E assim foi. Fartámo-nos de fazer de fazer iniciações de cenas e cenas (sempre curtas) a dois. O que é uma coisa difícil, especialmente em quantidade e sem um ponto de partida (quando temos um plot a decorrer é mais fácil encontrar inspiração). A iniciaçao da cena é das coisas mas difíceis da improvisação e correm várias teorias nos livros sobre o assunto.
"Quando não temos nada, o que fazemos?" é a grande questão. E há muitas possibilidades: olhar para o parceiro; nívelar energias; entrar com uma emoção e depois o corpo ajusta-se; entrar com uma posição física e depois a emoção aparece; começar com uma acção física; atacar com uma frase, etc.
Se alguém se deu ao trabalho de pesquisar o site que tem aquelas entrevistas, vai ver que esta é das questões que é sempre colocada aos improvisadores: "Como é que começas as cenas?". E por muitas que se façam, há sempre um receio pré-cena. "Devo ir em branco ou já com algo preparado? (dizem q o melhor é ir em branco, mas isso de início é muito difícil porque o medo é o pior inimigo do improvisador, e se não estamos totalmente à vontade, temos medo) Já fiz tantas personagens, e se esgoto a criatividade? (acaba por nunca acontecer, mas o receio existe sempre) Tenho medo de repetir cenas ou personagens (também nunca acontece, sabe-se lá como)?
Fizémos montes e montes de cenas a dois, com várias variantes de exercícios. Foi proveitoso, mas acho que só para a semana é que vou perceber que efeitos isso teve na prática.
Uma coisa é certa: quando começa a cena é preciso fazer alguma coisa, mesmo que seja olhar activamente para o parceiro, de preferência com uma emoção. A relação com o outro trata de descobrir o que se passa e quem são as personagens em cena.


EXERCÍCIO INTER-TURMAS - Hoje, final de nível 3, houve um mix com as quatro turmas do Intensive (cada uma tem 14 alunos). Cada grupo fez uma apresentação de 15/20 mins. Foi muito proveitoso, deu para tirar muitas ilações. O nosso grupo foi o primeiro. Pedimos um local genérico, deram-nos "Fire Station" e começámos. Tratou-se de uma sucessão de cenas à volta do tema e do que ia surgindo. Houve uma cena de salvamento de um gato, outra de uma namorada de bombeiro, outra de uma formatura em que se descobria que os bombeiros tinham cápsulas de emergência para se suicidarem caso ficassem presos num incêndio. Depois questões sobre a falta de equipamento da equipa. Depois eu ataquei com a ideia de o McDonnald's ia patrocinar os Bombeiros e cada vez que apagassem um fogo teriam de publicitar a marca. O tema foi bem explorado e fizémos cenas no McD e aconteceram mais peripécias que agora nem me ocorrem. Correu razoavelmente bem, estando por dentro nem sei bem avaliar, mas acho que pelo menos explorámos hipóteses interessantes. Havia alguma pressa em fazer as coisas e com grupos tão grandes havia muita gente a querer entrar com ideias, o que levou a um ritmo demasiado rápido e poucas cenas a dois para acalmar. Mas no fim, comparando com os outros, acho que fomos bons.
Ao ver os outros grupos apercebi-me de certas virtudes e defeitos. O segundo grupo trabalhou bem ao nível do espírito de entre-ajuda. Os que estavam de fora ajudavam bastante a cena com sons e algumas entradas para fazerem de objectos ou cenário. A dada altura estavam muito perdidos, às vezes as cenas vão-se desenrolando, levadas pelo instinto, e depois é preciso encontrar o caminho da luz. Como já disse anteriormente, estas improvisações são como uma estrada que percorremos às escuras, bla bla bla.
Pelo lado negativo, vi dois grupos que foram mais fraquinhos. Um deles começou a baixar o nível ("went blue", como dizem por aqui). O tema era "infértil" e começou com um tipo a dizer que lhe caíu o pénis. Pumba, peça no esgoto. Sim, houve risos, mas o nível foi parar lá abaixo. Esse mesmo tipo fez todas as suas participações com caretas (olhos esbugalhados, voz de pato e aquele virar de corpo para o público para tentar ter graça). Outros puseram-se, logo de início, com indícios homo, o que também é uma coisa muito elevada. São saídas fáceis que depois de vermos duas e três vezes já percebemos que não vêm da cena mas sim do pânico dos actores. E se percebemos que estão em pânico, percebemos que não sabem o que estão a fazer. E isso é mau. Não é que esse tipo de cenas não sejam possíveis, e até com graça, mas têm de ser justificadas e assumidas! Porque quando tomamos uma decisão em cena, é para manter e aumentar! E cuidado, já vi os Cook County a irem por esse caminho com muito brilho, com todo o COMMITMENT, mas aquilo acabou num nível brutal (embora brilhante, porque foram até ao fim). Porque quando o jogo começa, criam-se expectativas e depois não pode parar... e não parou. lol
Outro grupo tinha um elemento que, pelos vistos, tinha muito jeito para fazer um mosquito robótico. Então arranjaram maneira de ENFIAR o mosquito na peça. No início pediram a sugestão ao público da seguinte forma "vamos para o ano 2034 e queremos saber com o que é matamos um bug?". E pimba, à segunda cena lá estava ele a fazer o brilharete. Sim, ele era virtuoso, mas no público sentiu-se a frieza de quem sabia que aquilo não era improvisado.
Foi bom fazermos um exercício de grupo e vermos os outros a fazer. Falhar e aprender. Aprender a falhar. E apoiar os colegas, visto que só eles nos podem ajudar em cena.
Amanhã é dia de Workshops (um deles será o Improv Shakespeare) e para a semana começa o nível 4, onde vamos fazer cenas de grupo e Harolds com fartura!



MAIS ESPECTÁCULOS - Ontem vi mais um TJ & Dave. E já reservei para as próximas duas semanas. Ao segundo espectáculo já começo a perceber um padrão que vou ver se se mantém em espectáculos futuros. Eles são os reis do improv, pela categoria apresentada e pela calma com que fazem as coisas. E as situações que apresentam não são bizarras ou espectaculares, como acontece normalmente (como no improv tudo é possível, o pessoal usa isso para estimular as cenas e conseguir resultados - o que é perfeitamente legítimo!). Mas eles têm personagens do quotidiano, gente possível - em situações pequenas! E no entanto, ficamos encantados com o pouco que acontece, que é tanto...
Não deve ser fácil atingir este nível, porque ninguém mais faz o que eles fazem. E, com certeza, muitos gostariam de lá chegar. Boas notícias: comprei 3 vídeos deles! weeee! Já vi um e a minha vontade é de comprar mais 7 para ter 10!
Ainda não falei de um espectáculo interessante: O FELT. É improvisação com bonecos (marionetas tipo Rua Sésamo). Não foi tão bom como eu esperava, acho que as limitações técnicas de movimentação no espaço prejudicam o espectáculo. Fica o registo, pela originalidade.
Amanhã vou ver um espectáculo chamado "StoryBox", que parece bastante interessante. Segundo eles, são histórias dentro de histórias. São 8 story-tellers, cada um com um cajado e uma capa, que constróem histórias e cenários (utilizando os paus e os panos para o efeito).
Ainda me falta ver o Improv Musical (como deve ser), um Improv que é feito a partir das notícias do dia (dito assim parece-me uma coisa com potencial), um Musical Improv só com um actor (!) e mais nem sei bem o quê.


BASEBALL - Lá arranjei bilhetes (40$!) para o baseball! Então eu e o Australiano lá fomos. Foi muito estranho. Aquela gente... durante dois terços do jogo, não estavam a ligar nenhuma. Ouvindo o som parecia que estávamos numa marisqueira, com barulho de gente a conversar. E a beber cerveja, bumba bumba! Quando o jogo chegou a meio, pararam de vender cerveja. lol. Dever ter a ver com "responsible drinking, etc". (um aparte: aqui só se pode beber a partir dos 21, mas com 16 já podes conduzir. O que é que será mais perigoso?) Depois... descobri que um jogo de Baseball dura pelo menos umas 2h30/2h45. Isto se não empatar (que foi o caso)! Aí joga-se um prolongamento. Se continuar empatado, vai mais um, até se decidir quem ganha. Os Chicago Cubs ("Cubbies") lá ganharam (no 4ª prolongamento). Mas aquele público (40.000 pax) estava no estádio como se estivessem numa esplanada ou num pic-nic. Não puxavam pela equipa, não cantavam, não nada, só conversavam e bebiam. Só lá para o final é que arrebitaram um bocadinho e nos pontos altos batiam palmas e diziam qualquer coisa. É o jogo mais pacífico do mundo, não há empolgamento no público! Mas o estádio está sempre cheio e vê-se famílias inteiras, muitas mulheres (tantas como homens eu diria) e crianças. Pronto, foi uma experiência gira, mas para não repetir. :)

domingo, 26 de julho de 2009

Excitação pós-espectáculo!


Acabo de vir de dois dos melhores espectáculos que já vi nesta cidade!

MIDDLE AGE COMEBACK - O tal em que entra o prof que deu o workshop 2-person scene. Hoje foram dois homens e uma convidada a fazer o espectáculo. E eles são mesmo incríveis. Fazem imensas personagens ao longo da peça, e mudam de cena com um ritmo frenético. Prestam muita atenção ao que está a ser feito e dito e na altura certa... pimba! Muda de cena. Acho mesmo que não deixam passar nada ao lado. Numa cena falou-se de um cavalo que matou três crianças. Partiram logo para uma cena com dois polícias a interrogar um cavalo (e depois entrou o advogado equestre). Se alguém referir que há câmaras a observar, na cena seguinte (ou três cenas depois, talvez) lá estão dois tipos a olhar para os televisores. Foi uma viagem alucinante, aqueles rapazes são geniais e aquilo é fruto de 12 anos de trabalho em conjunto.

3033 - Quando eu achava que já tinha comido o prato principal e só ia comer restos, fui surpreendido com este grupo que presenteou o público com uma actuação... perfeita! O público estava louco com eles, do princípio ao fim. Quando aquilo acabou, eu e um colega olhámos um para o outro, com os olhos esbugalhados e um sorriso meio aparvalhado, como se tivéssemos vindo da lua. Aqueles quatro senhores fizeram uma história incrível. A partir da sugestão "bipolar", fizeram uma cena numa loja, onde um rapaz vendia facas. O cliente acaba por se interessar por uma espada samurai e quase faz a compra, mas a bipolaridade do rapaz acaba por correr com o homem para fora da loja. Na cena seguinte, o pai oferece ao filho uma espada e o filho mata o pai (!), que antes de morrer faz alusão a uma "lenda". Depois voltamos à loja, onde o rapaz quase vende a espada (entretanto explica que ela foi usada para matar o 18º rei do Sião), mas as vendas voltam a abortar. * ora aqui está o grande trunfo deste grupo: detectam o jogo da cena e exploram-no. Quando li o Truth in Comedy não percebi muito bem aquela coisa de "dar ao público o que ele quer". E aqui ficou bem claro. Todos nós queríamos voltar a ver o bipolar a estragar a venda, sabíamos que ia acontecer, e mesmo assim partimo-nos a rir quando aconteceu (mais duas vezes). Fórmula: detectar o padrão, procurar o jogo. O padrão é o bipolar que tem ataques de fúria. O jogo é não deixar que ele venda a espada. Pelo menos não antes da terceira tentativa.* Depois fizeram uma cena com o Rei do Sião e os seus guardas. De seguida um Russo (o filho que recebeu a prenda) com uma espada samurai a matar gente a torto e a direito. Compra um bilhete para o Sião e mete-se num avião. O passageiro que está ao lado dele foge (antes que levasse um corte) e há outro actor que toma o seu lugar, dizendo que prefere "ir à frente". Apresenta-se como David Patersen, leva um golpe no peito. Logo a seguir um actor fora de cena faz o seguinte anúncio: "Senhores passageiros, em breve vamos aterrar, com a ajuda indispensável do nosso co-piloto David Patersen, que é o único que sabe aterrar no Sião". Claro que isto deu aso a uma cena delirante. Depois, na recolha de bagagens, o Russo conhece três tipos, um dos quais é guarda do palácio do Rei. Mata os três (atenção, cada vez que ela matava alguém o pessoal adorava, mesmo que fosse a 20ª morte e fosse super previsível), disfarça-se de guarda (cortou a pele ao actor Y e o actor Y vestiu a sua própria pele, passando agora a ser ele o Russo). No fim, uma cena engraçada com o Rei do Sião, que se tenta safar alegando que quem o matar com aquela espada também morre. O Russo mata-o. Cena final: o vendedor de espadas a apresentar a espada samurai a um comprador, com preço mais elevado por ser amaldiçoada.
No final o público estava doido! Eu próprio esta enlouquecido com tanta perfeição.

Vou conseguir comprar 3 vídeos do TJ & Dave. Para a semana o meu professor é um dos elementos do 3033. Vou tentar dar-lhe o toque a ver se consigo uma gravação deste espectáculo memorável, que acredito que esteja no top deles.

sábado, 25 de julho de 2009

Improv Musical


Na 6ª-feira o papa-workshops lá foi para o iO, a ver o que lhe saía. E foi óptimo!

1- Workshop POWER CHARACTERS - Pensei que ia ser uma repetição do que já tínhamos dado nas aulas, em termos de técnicas de construção de personagens (através do lado físico), mas não. Foram 3 horas com teoria e prática de personagens a partir da emoção inicial e do contacto visual. Tudo o resto se pode desenrolar a partir da relação entre as emoções das duas personagens em cena. Se fizermos as personagens por fora, vamos estar à procura da acção. Se começarmos por dentro vamos ter a relação, que por sua vez consegue sustentar a cena. Fui várias vezes apontado pelo prof com referências de aspectos positivos de trabalho em cena, o que me deixou um pouco envergonhado, mas obviamente orguhoso. :)

2- Workshop MUSICAL IMPROV - Ora aqui está uma agradável surpresa! Inscrevi-me nisto um pouco a medo, mas não havia razão para isso. O prof foi extraordinário e geriu o tempo de forma a que a aula fosse eficaz (aliás, isso parece ser uma constante aqui no iO). Só sei é que passado três horas estavamos todos a fazer milagres no palco: coros magníficos, cenas improvisadas com duas personagens, que na altura certa faziam entrar a música (tinhamos um pianista) e nós improvisávamos tudo - versos, refrão, andamentos, etc. Os resultados foram espectaculares e todas as cenas foram cativantes (a minha cena era sobre dois irmãos que lamentavam a morte da cadela de estimação - o que levou ao refrão "we will always have Camila"). No parte final da aula fizemos um "Magical", é uma possível abertura para Harold em forma musical e harmoniosa. Muito bonito, parece mesmo magical! Nunca pensei que em tão pouco tempo atingíssemos resultados tão bons. Achei que não íamos passar dos exercícios básicos. Music Improv é mais fácil do que parece e há técnicas que tornam tudo mais seguro. Com mais 10 aulas saíamos dali capazes de conquistar o mundo!

3 - DELTONES - Hoje, Sábado, fui ver o Harold Musical, os Deltones. Antes deles houve Harold feito pelos Mrs. Dad. Foi bastante bom, a abertura foi interessante, as passagens de cenas boas, as entradas para os jogos de grupo foram fluídas e o final conseguiu apanhar os elementos das várias cenas anteriores (é dos grandes trunfo do Harold, realmente. O público vibra cada vez que se consegue fazer associações). Os Deltones: desiludiram-me um pouco, para não dizer bastante. E acho que sei porquê. Já sabia que havia algumas substituições no elenco desta noite e isso reflectiu-se. Dos quatro actores em cena, havia um que andava às aranhas. Via-se que era actor de improv, mas se calhar estava a fazer o primeiro musical, para safar o grupo. Havia pouco "group mind", o que fez com que tudo ficasse colado com cuspo, apesar do esforço de Joe Bill, o mais experiente, em safar a peça. E safou, sim. O público estava satisfeito. Mas eu pensei para mim "ainda bem que não paguei bilhete". Porque os Deltones nos seu melhor, de certeza que são brilhantes e constróem músicas arrebatadoras. É por isso que existem. É que em relação ao que eu vi, tenho a certeza de que as cenas que vi (e fiz) no meu workshop não foram menos interessantes do que as que vi no espectáculo.

Pérolas de Sabedoria


Encontrei este site (http://www.improvinterviews.com) que tem entrevistas às grandes referências de improvisadores (long-form). Vou lendo devagarinho e pelo meio encontro algumas pérolas que aqui partilho.

CHARNA HALPERN

"We can't screw each other over for a joke.' That's what Joan Rivers used to do to him. He did a scene with her, this is the famous story, where she initiated the scene and said 'I want a divorce.' From her initiation he understood that she wanted him to play the distraught husband, so he said 'But honey, what about the children?' She said 'We don't have any.' It got a huge laugh, but he looked like an idiot. What man doesn't know if he has children or not? She would get a laugh at the expense of her fellow players, as a result people didn't trust her on stage. She became a stand-up, but she's not an improviser. It's a different animal, because an improviser should take care of their partners. You're taking a risk to be out there every night. You have to make sure that your partner has your back."

"I always tell my students 'It doesn't impress me if you can make me laugh. Anyone can make me laugh, but what will really make me take my hat off to you is if you can make me go 'Oh,' then I think you're good.'"


SUSAN MESSING

"Your first 30 seconds of your scene is your promise to the audience about who you will be. We will discover where you are and what’s up, because scenes definitely aren’t about plot and it’s definitely not about your funny. It’s about people. I don’t care where you play. It’s got to be about people. So, ringing a bell could be a game. It doesn’t have to be wacky, but if I get lost in a scene and dropping it and go on to something that I perceive would be better, i.e. I suck, and recommit to the choice I made at the top of the scene and heighten them I will discover a new plot or at the very least the reason why I was doing this. I share that and something happens. Or somebody else comes up with a reason for it."

"It’s not just object work, not the coffee-stall-until-the-argument-in-your-apartment-scene anymore. It’s going to be that you’re drinking coffee. Now throw out a reason. ‘I was up with the baby all last night.’ Boom. Or ‘If I don’t I have a migraine.’ Now you have something in your arsenal to work with."

DAVID RAZOWSKY

"The difference between dramatic improvisation and comedic improvisation is how far do you take it, how absurd to you take it, how seriously do you take what’s going on, because the more seriously you take it the funnier it’s going to be, the deeper it’s going to be, the more shocking turns it’s going to take. What I got out of that, when I kept heightening and heightening and heightening, I realized ‘Oh, that’s the difference between dramatic and comedic improvisation.’"

DAVE PASQUESI

"The disruption of a routine is conflict, and that's where the dramatic tension occurs. That's what some would say. TJ points out that conflict is going to happen. Let's try to postpone it as long as possible. It's going to show up. If we create it at the beginning, we haven't established anything these people before the conflict, so there's no change that can take place. The conflict should affect some sort of change in the relationship or within these characters, but if we don't know them already, we don't notice the change. That's all we know them as. These are those guys who react this way when the car blew up, but we don't know what they were like before the car blew up."

sexta-feira, 24 de julho de 2009

10 coisas que me agradam em Chicago



1 - A arquitectura - Arranha-céus magníficos no centro, casinhas lindíssimas de dois andares no resto da cidade. Uma paleta de cores muito bem definida e construções estilizadas.


2 - O sistema de transportes - bem pensado, rápido e pontual. Todas as linhas do metro vao ter ao centro, o que é muito bom!

3 - A higiene - A cidade é muito limpinha, ao contrário de Nova Iorque. Ah, e o trânsito é completamente fluído, não há engarrafamentos. Na verdade, não há hora de ponta. Podemos andar perfeitamente no centro às 17h30, que parece que é fim-de-semana. Incrível!

4 - As aulas - Os professores não perdem tempo com conversas de caca e os alunos não fazem perder tempo com comentários inúteis. Vão directos ao assunto e em busca de resultados práticos. Por isso todos os minutos são rentabilizados e a aulas proveitosas.


5 - Millenium Park - Uma zona magnífica no centro da cidade, com jardins, fontes, museus, o maravilhoso Cloudgate (um feijão gigante espelhado) e o auditório Jay Pritzker, do arquitecto Frank Ghery, que oferece aos cidadãos concertos de música clássica ao ar livre (pela orquestra filarmónica de Chicago) gratuitos.

6 - Subway - É difícil bater a Subway em termos de preço e qualidade. 5$ por uma sandes gigante, que dá para o almoço e para o jantar! E as meatball sandwich são espectacularmente deliciosas! (Obrigado Mário Bomba)

7 - Água nos restaurantes - Ao contrário de Portugal, em Chicago oferecem águinha no restaurantes (sem cobrarem por isso, claro). E fazem-no com todo o gosto, sem fazer cara feia. Muitas vezes nem é preciso pedir: à chegada recebemos um copinho de água com gelo. Os almoços sempre saem um pouco mais baratos.



8 - Os suburbios - Não há Amadora, Cova da Moura, Chelas ou Barreiro. Nos arredores do centro os bairros continuam a ser constituidos por casotas de dois andares com jardim. Não há edifícios feios ou aberrações. Tudo tem um ar pacato, limpo e seguro. E não se vêem matilhas de selvagens delinquentes.

9 - Pouca publicidade. Não somos bombardeados com cartazes em tudo o que é sítio. Isso também ajuda a que a cidade mantenha um estilo e identidade.

10 - A ar das pessoas na rua. Descontraídas, a olhar em frente (e não para o chão) e sem aquele ar de que a vida é uma merda (como se vê em Lisboa).

Extra - E, claro, é a capital do Improv e é aqui que estão os melhores professores e artistas do ramo!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Final do nível 2

Isto por tópicos é de digestão mais facilitada:

1- O CURSO. Cheguei hoje ao final do nível 2 do curso intensivo, o que equivale a 4 meses de aulas regulares no iO (sim, as aulas regulares são uma vez por semana). No nível 1 atiraram-nos à cara tudo o que havia para fazer num harold. No nível 2 desacelerámos um pouco e fomos aprofundar conceitos e técnicas: Construção de personagens, trabalho de grupo (group mind), a relação em cena, o jogo de cena e aumentar a parada. Foi excelente, embora um pouco cansativo. Alguns conceitos são difíceis de absorver totalmente e é preciso praticar e ver para compreender. Sim, já tinha percebido que a relação é importante, mas daí até o sistema neurológico ficar automatizado para agir assim ainda vai um grande passo. Mas foi dado! E comprovo, o mais importante numa cena é a relação entre as personagens, não é a acção que está a acontecer. Sim, o barco está a ir ao fundo, mas o importante é o que é que as personagens sentem com isso e não a água a entrar. Outro conceito importante é o aumento da parada (raise the stakes): a introdução de novas informações (ou acções) que tornam a cena mais importante (o risco é maior) a partir desse momento. O grupo tem sido fantástico e todos conseguiram evoluír e superar as dificuldades. Awesome!


2- COOK COUNTY. Continuo a absorver espectáculos de Improv, é claro. Uns melhores, outros piores, depende do grupos. Neste momento já consigo distinguir 3 níveis de qualidade nos espectáculos. Há os razoáveis, os muito bons e os brilhantes. Entre os brilhantes destaco os seguintes: Cook County Social Club (que já tinha referido num post anterior). São 4 rapazes brilhantes que sabem estar em cena com uma alegria, cumplicidade, capacidade narrativa e técnica, tudo isto numa simplicidade fora do comum. A sugestão do público foi "vampiros". A partir daí eles fizeram uma cena em que os 4 estavam perdidos uns dos outros, às "escuras". Esse jogo deu pano para mangas e foi divertidíssimo vê-los a fazer a cena em palco, a um metro uns dos outros, a acreditarmos que eles estavam no escuro, distantes uns dos outros e até em níveis diferentes. Depois passaram para uma cena num automóvel onde criaram aquela que seria a personagem-base da peça: um Mr. Cavanaugh, ex-combatente no vietname. Um sujeito perturbado. Foi giro como no início uns miúdos lhe perguntaram "se era verdade a história dele e da vietnamita" e muito mais tarde, quando a personagem começa a perder a cabeça, fazem um flashback ao Vietnam e nos mostram o que aconteceu. Muito bom! E o mais brilhante é que ao longo da peça sempre resistiram à cena fácil que seria colocar um vampiro a morder pessoas. Não é preciso! A sugestão inicial é um ponto de partida, é uma influência, apenas! Mesmo assim tivémos a ambiência do medo, da escuridão, da morte, etc. Awesome!


3- TJ & DAVE - Desde que cheguei que ouvia falar neste espectáculo. É o que esgota sempre e aquele que os alunos não podem ver à borla e têm de comprar bilhetes com uma semana de antecedência (5$, uma ninharia para o que é). São considerados topo de gama da improvisação. Fui ver. E concordo, estão lá em cima, lado-a-lado com outros. O que os destaca é a classe com que improvisam. Com muuita calma, com tempos lentos, com diálogos interessantes e personagens cativantes e aprofundados. São só dois actores em cena e o espectáculo dura quase uma hora. Usam algumas cadeiras para apoiar a cena e pronto. Não procuram a comédia, ela aparece sozinha. Exploraram bem as duas personagens iniciais e mais tarde trouxeram outras, de forma brilhante (algumas até já tinham sido caracterizadas ou comentadas antes de aparecerem). Brilhante é também a forma como no final conseguiram fazer uma reunião geral com todas as personagens, fazendo-as interagir. Tudo isto sem correrias e com uma graça tremenda. Já comprei o meu bilhete para a próxima quarta-feira. :) Ah, mais uma coisa: estes são os únicos (até agora) que não pedem sugestão inicial ao público. Apenas dizem: "Trust us, this is all made up" e começam a cena. Awesome! ps- acho que talvez seja possível comprar uns vídeos de espectáculos deles. Vou averiguar!

4- SPEAK ENGLISH? Nos primeiros dias o choque foi um bocadinho forte. Já contava com isso. Por muitas séries e filmes que uma pessoa pape e por muito bem que fale inglês, quando se vê a sós na América a coisa treme um bocadinho. E quando temos de representar a partir de um guião também pode tremer. Quando se tem de improvisar em Inglês, ui! É preciso treinar o cérebro para pensar em inglês. Nos primeiros dias sentia um handicap, como se eu só tivesse 70% das minhas capacidades de improvisador. E antenção, o meu inglês é bastante bom! Mas uma cultura nova traz-nos palavras e expressões que não conhecemos, tempos de dizer palavras que as distorcem do que estamos habituados (basta pensar num Lisboeta a falar português. Um estrangeiro que tenha estudado a lição não percebe nada porque nós comemos letras e fazemos ligações tramadas) ou simplesmente palavras que não aparecem muito nos filmes, séries ou internet (nomes de vegetais, animais, etc.). Posso assegurar que nunca atrofiei em cena, nem fui menos do que os outros, pelo contrário. Utilizei as minhas defesas de actor e utilizei melhor os tempos. Não falava à toa, o que dizia era claro e importante. O gesto e o olhar ganharam mais significado. Foi da maneira que passei a fazer melhor a ligação com o parceiro e aproveitar o que estava no ar, em vez de sentir a responsabilidade de ter de liderar a cena logo a abrir. No final da primeira semana o problema do Inglês já (quase) não existia e já consigo ir buscar as palavras certas rapidamente e compreender perfeitamente o que é dito (ou se não perceber as palavras percebo a intenção). Estou muito contente com os meus resultados no grupo. Depois explico porquê. :)

5- Será que alguém ainda lê este blog? Isto deve ser tão chato, sempre a falar do curso e do trabalho e das técnicas. Raio do miúdo, em vez de ir passear, ver coisas e mostrar as fotos...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Dia Super-Produtivo!


Apesar de não ser dia de aulas normais do curso, aproveitei para fazer uma série de coisas fixes, que passo a catalogar em quatro secções:

1- Workshop "TWO PERSON SCENE": por Jim Carlson. Foi espectacular e sempre a abrir, com os 8 alunos que chegaram primeiro para agarrar as vagas. Basicamente ele ensinou-nos técnicas para fazer 2-man shows, onde dois actores fazem montes de personagens (sim, tipo bipolar)! Fiz um exercício onde eu e outro tivémos de fazer 10 cenas com personagens diferentes e depois alternar entre as cenas de poucos em poucos segundos. Os resultados foram óptimos e é incrível como as cenas quase todas ganharam interesse e até se começaram a interligar! Estou doido para ver o espectáculo do Jim (http://chicago.ioimprov.com/io/shows/22). Diz que o record dele foi ter 35 personagens numa só cena! Acho que já vou voltar com técnicas na bagagem para resolvermos o nosso bipolar! AWESOME!!!

2- Workshop "THE DREAM": por Craig Uhlir. The Dream é um jogo que se faz no iO, entre um e outro Harold, é uma espécie de Intermezzo. Já vi um e achei muito interessante. Pega-se num voluntário do público e faz-se uma entrevista. Tenta-se que a pessoa descreva um dia interessante que tenha tido recentemente. A pessoa descreve. A entrevista leva 3 a 4 minutos. A partir daí, os actores vão representar aquilo que poderá ser o sonho da pessoa nessa noite. É muito giro, pelo lado onírico, pela fantasia e pela forma como se pega nos elementos dados pela pessoa e se aplica no sonho. (por exemplo, se ela esteve ao telefone com o pai enquanto o Obama estava na tv a discursar, no sonho o pai dela é o Obama) Não é um jogo long-form, é short, por isso quem sabe se em breve não estará na Casa da Comédia. AWESOME!!!
ps - ah, fizeram o meu sonho! Foi lindo, ri-me tanto tanto! Foi sobre o dia da minha viagem. A Susana a despedir-se de mim no aeroporto (no ar, movimentava-se em tecidos), eu a ser revistado em Frankfurt, eu em Chicago à toa, a tentar arranjar dinheiro e estar tudo fechado, depois no Hostel com lençóis sujos, e finalmente com um encenador a dizer que está tudo mal. Contado não tem graça, mas eu quis contar à mesma, porque foi delirante!

3- IMPROVISED SHAKESPEARE: Fui ver este espectáculo, sobre o qual já tinha ouvido falar maravilhas, e fiquei encantado. Os tipos são mesmo bons! Conseguem (re)criar peças de Shakespeare do pé para a mão (em dois actos, 1h30). Utilizando a mecânica das peças dele, a linguagem arcaica e poética do génio e as personagens-tipo, aqueles cinco rapazes fizeram magia. Há ali muito trabalho e estudo, vê-se bem. A estrutura da peça improvisada era óptima, as personagens perfeitamente Shakespereanas e o plot também. Havia o Duque, as duas filhas (depois havia uma terceira, a rejeitada, que era... um balde de nhanha falante), Malvéolo - o vilão, o conselheiro maquiavélico, os costureiros, o mensageiro e tantas outras. Claro que havia muuuita parvoice delirante e o povo ria-se a bandeiras despregadas. Mas parvoice boa, criada na altura, com os actores a divertirem-se no delírio, mas a conseguirem controlar a estrutura. Não são peças de Shakespeare, mas podiam perfeitamente ser. Para a semana vou ver outra vez. AWESOME!!!

4- COMEDY SPORTZ: Por fim, lá decidi que tinha de ir ver a concorrência, para tentar perceber se os Improváveis estavam muito atrás dos mestres da comédia short-form de Chicago (http://www.comedysportzchicago.com/). A resposta é: NÃO! ESTAMOS À FRENTE DELES!!! Quando a Sanne nos disse que achava o nosso espectáculo mais divertido do que os da Holanda, achámos duvidoso. Mas agora acredito! Sim, o Comedy tem um cenário todo pi-pi, tem uma sala ampla, tem video-wall, músico (órgão) e efeitos sonoros (sim, para além do músico há um tipo que põe músicas populares e ritmadas para espevitar o público). Duas equipas de 3 actores e 1 ref. Tudo muito bem empacotadinho, muito show-off, muita luz, cor e movimento, mas... com pouco interesse. Ficou falso, plástico, fast-laugh-take-away. Os Improváveis são genuínos, são divertidos e criam uma relação próxima e autêntica com o público. E os jogos são feitos com esforço e entrega e é tão bom quando não correm tão bem! E procuramos interesse nas cenas, vivacidade e teatralidade. E por vezes temos momentos de pura magia. O que eu vi ali foi de um desintresse absoluto e de uma superficialidade atroz. NOT AWESOME!!!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Evolução rápida


Já lá vão três dias de formação e os resultados não podiam ser melhores. As aulas são muitíssimo práticas e estamos sempre a fazer cenas ou ver os outros a fazer. A prof. Kate Duffy é ultra-motivadora, consegue incentivar toda a gente, realçar o que fizemos bem, mas ao mesmo tempo toma notas das cenas e no fim sabe apontar aspectos a melhorar.

No segundo dia aprendemos jogos de abertura de Harold (monólogos interactivos, Rants, invocações). As invocações são particularmente interessante e ensinam-nos como pegar na sugestão mais básica e elevá-la a conceitos universais. Isso faz com que, em vez de fazer uma peça sobre "colar", podemos ter uma peça sobre assuntos mais vastos e profundos como o sentido da moda, os enganos nas relações, o suborno, heranças, etc. É o grupo que faz esse crescimento e ele pode tomar qualquer rumo, dependendo de inúmeros factores. Por exemplo, num exercício, a sugestão "maçã" levou o grupo a ir para a tartes de maça, que levou às avós, que levou à família. E o Harold que se seguiu teve cenas que envolviam avós, filhos, netos. Seguiu-se uma sequência de monólogos sobre a morte dos entes queridos (ou a possibilidade de...) e uma segunda leva de cenas, desta vez influênciadas pelos monólogos, etc...

Um Harold é uma experiência única, que dificilmente se pode explicar por palavras. Ao ler o Truth in Comedy percebi que era algo especial, complexo e abstracto, mas quando se faz mesmo, aí sim, compreendemos o que é aquilo. É como uma estrada que não sabemos onde nos vai levar, mas que percorremos com muito gosto, escolhendo caminhos, influenciados pela paisagem que nos rodeia e os caminhos que escolhemos transformam a paisagem. O espírito de grupo é importantíssimo e todos devem trabalhar para ajudar a cena, evitando o individualismo. Há partes cómicas mas também pode haver momentos dramáticos. E no fim tentamos fazer um apanhado de vários elementos que aconteceram ao longo da peça e encontrar um final.

Pronto, já falei muito sobre Harold por hoje. Ainda tenho um mês pela frente para explorar o assunto.

Tenho visto alguns espectáculos interessantes. Vi um que me chamou a atenção porque eram dois actores a levar a cabo uma história. E fizeram várias personagens. Foi quase um bipolar long-form, só que eles até assumiam personagens do parceiro e tudo. A história desenrolou-se lindamente, com coerência, graça e situações positivas de conflito. Muito bom!

Agora tenho de ir para as aulas. Que me perdoem os não-actores que visitam o blog, não tenho muito mais para contar para além da formação, porque não havido espaço para nada mais. Espero no f-d-s ir dar uma voltinha por aí.

Saudades de todos!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Primeiro Dia


A pedido de muitas famílias, aqui vai a primeira actualização:

Cheguei bem, instalei-me um hostel, tudo bem, etc.
No iO: A princípio estavam os alunos todos para uma lecture da directora. Devo dizer que foi uma sensação estranha. Tudo muito americanos, com um ar muito americano, e ouvia-se muitos "cool, awesome, yeah, etc.". Depois dividiram os alunos em quatro grupos de 15. O meu grupo é jovem, tem vários miúdos na casa dos 20. Tem duas raparigas e um australiano que parece da minha idade. A maior parte deles não são actores profissionais, mas todos já fizeram improv, de uma maneira ou de outra. A minha prof desta semana é uma Kate. Muito boa onda, muito positiva, sempre a realçar o melhor que há nas nossas cenas. Está sempre a puxar para cima. Gostei. Quanto ao grupo, ao longo do dia fui percebendo que funciona bem e que parece não ter panhonhas. As cenas avançam bem e tivémos resultados bastante positivos. Os alunos são todos simpáticos, no seu estilo americano. Almocei com eles, ficámos a conhecer o background uns dos outros. Recebi muitos "cool" e "awesome" quando lhes falei dos Improváveis.

O Australiano consegue ser brilhante na arte do "Yes, and...", uma das regras mais importantes do improv. Em termos de jogos, fizémos Hotspot, Cocktail Party (gosto muito deste.) e cenas a dois que começam numa situação de conflito, mas que não devem descambar em discussão. No fim fizémos um mini-Harold, só para perceber a mecânica. Depois, com tempo, explico isto melhor. Relembro os Improváveis de que devem ler aquelas fotocópias!

Ao fim da tarde fui para a baixa deslubrar-me com a cidade. Devo dizer que é magnífica. O castanho e creme são as cores dominantes, numa saudável harmonia. É muito limpa e tranquila, o trânsito flui lindamente e as pessoas andam na rua com um ar satisfeito, ao contrário de Portugal, onde parece que anda tudo de trombas. Depois falo mais sobre a cidade e mostro algumas fotos. :)

À noite fui ver um espectáculo, o "Armando Diaz Experience". É um long-form improv curioso. Um elenco de 12 actores. Há um que fala sobre a sua vida, pensamentos, memórias, etc - a partir de uma pergunta do público. Depois o elenco representa cenas influenciadas por aquilo que ele contou. Digo influenciadas, porque é mesmo isso. Às vezes podem só pegar num detalhe mínimo e fazer uma cena a partir disso. Depois ele volta, conta mais coisas, o elenco faz mais cenas, etc. Foi muito interessante, mas eu já estava estafado.

Agora vou dormir...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Faltam 10 dias para partir


No dia 13 de Julho tenho de estar em Chicago para começar o Curso Intensivo de Improv no iO Theatre Chicago, uma das mais prestigiadas instituições de improv, que me vai ocupar manhãs e tardes, de 2ª a 5ª. Às sextas há workshops especiais e durante o f-d-s há workshops e aulas noutras escolas e teatros, que vou tentar explorar. À noite há espectáculos de improv para ver. Muitos! O iO tem dois por noite e os alunos não pagam, o que significa que grande parte das 5 semanas vão ser passadas enfiado naquele teatro. lol

Espero que, já agora, o iO tenha wi-fi. Assim poderei actualizar o blog com todas as novidades, entre uma aula e um espectáculo. E poderão os meus queridos amigos, mulher, família e colegas fazer, de certo modo, parte desta aventura, que terei gosto em partilhar. E os meus queridos Improváveis, vão encontrar aqui algumas pérolas de sabedoria que eu vou apanhando.

Antes de partir, não posse deixar de agradecer à GDA por estarem a apostar no meu projecto de formação. É difícil de acreditar, mas existe mesmo neste país uma instituição que apoia, com justiça e imparcialidade, a valorização dos actores. OBRIGADO!!!

Agora tenho de ir fazer as malas!