segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Chicago Improv Festival 2010!

"Os Improváveis" foram convidados para participar no Festival de Improv de Chicago, em Abril de 2010! AWESOME!!! Após algumas semanas de pesquisa, lá consegui encontrar-me pessoalmente com o produtor executivo do festival e apresentei-lhe o nosso projecto, com toda a honestidade e vontade de vencer. E voilá! Agora só falta a outra parte, que é arranjar apoios para a viagem... :) Vai ser uma oportunidade extraordinária de toda a equipa poder ver o que eu vi aqui e de Portugal mostrar à América as suas capacidades criativas!


STORYBOX - Este fim-de-semana fui assistir a Storybox, um espectáculo criado pelo Jonattan Pitts (o produtor executivo do festival). E foi marcante. Fiquei absolutamente encantado com o formato e com o resultado, tanto que voltei lá no Domingo. Storybox é um espectáculo que utiliza técnicas visuais e narrativas para contar uma história sobre uma personagem (tudo improvisado e criado no momento, claro). Existem 8 storytellers (ST), munidos de bastões de madeira e panos. Um deles é músico e serve-se de um órgão, uma viola e outros instrumentos. O público escolhe se quer ver uma história sobre um homem ou sobre uma mulher e tudo começa. A primeira fase é a da criação da personagem. Um a um, os ST vão adicionando informação (nome, idade, aspecto, características psicológicas, manias, posses, animais de estimação, profissão, o que lhes vier à cabeça). Esses dados são fundamentais e todos serão utilizados na história. Depois começa a narrativa com a personagem em acção. Um dos ST torna-se a protagonista e os restantes utilizam os paus e panos para construir cenário, objectos, animais, adereços, e até coisas mais abstratas (cheiros, pensamentos, olhares, etc.). Existe um trabalho muito forte do conjunto para conseguirem esse feito com tanto sucesso (sim, aquilo funciona mesmo e é lindo - os paus de madeira são fantásticos e servem para tudo, assim como os panos). Mas o que mais me fascinou foi mesmo a capacidade de eles contarem uma história tão bem contadinha, sem descarrilarem no disparate ou em soluções fáceis. Não existe um narrador fixo, pelo contrário - qualquer um pode narrar e adicionar informação, a qualquer momento (para isto é preciso alguma coordenação e espírito de grupo para que se oiçam e se sintam, para não se atropelarem). A protagonista é muito humanizada e aprendemos desde cedo a conhecê-la bem e a gostar dela. Outras personagens que apareçam são descritas pelos narradores (idade, profissão, etc). Existem sub-histórias que são exploradas, existem saltos no espaço, muitas localizações e personagens. Há momentos para rir e momentos para chorar. Foi verdadeiramente emocionante ver a protagonista a passar por alguns maus bocados e depois conseguir encontrar-se e tornar-se uma pessoa diferente.
Resumindo, Storybox é um espectáculo (de mais ou menos 90 minutos, sem intervalo - que passa num instante) com uma estrutura complexa que exige um grupo sólido e coordenado. Ao contrário dos restantes espectáculos de Improv, este precisa mesmo de actores com formação de teatro e é aquilo cujo resultado final mais se assemelha com um espectáculo de Teatro convencional. Pode-se dizer que pertence a outro nível, mais artístico, menos dado à comédia e que funde bem as qualidades do Improv e do Teatro. No fim desfiz-me em elogios ao Jonatan, disse-lhe que isto é o Teatro do Futuro: verdadeiro, criativo, que depende da técnica, do espírito da equipa e do instinto do actor. Ele gravou-me um DVD com um dos espectáculos que eu vi. A gravação é fraquita, mas dá para ter uma noção.


CONTO DE FADAS IMPROVISADO - Aproveitei as insónias para me levantar da cama e ir para o iO às 10h30 da manhã ver isto. Foi uma experiência engraçada. Infelizmente estava muito pouco público na platéia (10 crianças e 10 adultos, para aí), mas para a minha pesquisa isso não fazia diferença. Storytown conta com um elenco muito maior do que eu esperava: 4 actores, 1 apresentador/narrador, 1 músico ao piano e 1 cenógrafo (que faz corte, pintura e colagem de cartolinas que depois servem de adereços). Foi giro, usaram bem as ideias das crianças e criaram uma história dentro daquilo que são as peças para crianças (menina que quer ser famosa e não quer ir à escola, um animal, uma fada-madrinha e um vilão que no fim fica bom). A sugestão de local foi Paris e aproveitaram isso muito bem. Ah, e fazem um pouco de improv musical, etc. Interessante, sem dúvida.

WHIRLED NEWS TONIGHT - Estes eram os tais que faziam improv a partir de notícias de jornal que o público recorta e coloca num placard. Só vi a primeira parte, confesso que não me fascinou, talvez mais por eles. A ideia está certa: pegar numa notícia, ler o cabeçalho e o primeiro parágrafo e fazer cenas baseadas na notícia (não confundir com recriar directamente a situação da notícia). O que me chateou é que eles eram muito gag-makers, não sei, eram muito Second City.

SECOND CITY - Para clarificar o ponto anterior: Second City é uma instituição importante no panorama artístico americano. Formaram vários comediantes importantes e fornecem muito material para humor televisivo (Saturday Night Live, Mad TV, etc). Têm escolas em Chicago, Toronto e Los Angeles. A nível de Teatro, o seu principal negócio é o Sketch-Show, mas marginalmente fazem shows de improv. Normalmente os improvisadores percorrem os 3 centros de treino de Chicago (iO, Annoyance e Second City), sendo que cada um tem as suas especificidades: O iO é o long-form por excelência e tem o melhor estatuto intelectual; O Second-City é a máquina comercial que utiliza o improv como meio de testar e aperfeiçoar o sketch, e o Annoyance é o improv experimental e vanguardista. O Second City, não sendo o mais aliciante para os actores, é o que oferece melhores condições, por isso muitos vão lá parar. Como formação, o Second City oferece um curso misto: de escrita e improv. De manhã escrevem sketches, à tarde testam. O que resulta no actor é que ele se torna mais calculista em cena, uma máquina de gag-per-minute. Falta-lhe a verdade e a teatralidade (que, na verdade, só no teatro é que se aprende - e eu acho que faz a diferença).

OUTROS - Voltei a ver os Deltones, desta vez com o elenco principal, e agora sim, vi um improv musical com graça. Voltei a ver o Middle-Age comeback, não foi tão bom como na semana passada. E voltei a ver o 3033, que na semana anterior foi perfeito e esta semana foi bastante bom. Vi os Deep Schwa, que são o grupo mais doido que anda aí. Foi alucinante a forma como se divertiram a quebrar a estrutura e fazer daquele epectáculo uma trip pastilhada. E também vi alguns maus Harolds. Ai, é tão penoso quando aquilo não é bom... ver espectáculos sem substância, com o grupo dividido a lutar pela sobrevivência. Uffff...

Tinha mais coisas para dizer, mas acho que já chega.

1 comentário:

  1. Não, não chega!! Diz tudo! Go Chica Go, aah hmmm digo Pedro Go ;) (ok ok esta tem copyright do Inprovável Azul)

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