"Os Improváveis" foram convidados para participar no Festival de Improv de Chicago, em Abril de 2010! AWESOME!!! Após algumas semanas de pesquisa, lá consegui encontrar-me pessoalmente com o produtor executivo do festival e apresentei-lhe o nosso projecto, com toda a honestidade e vontade de vencer. E
voilá! Agora só falta a outra parte, que é arranjar apoios para a viagem... :) Vai ser uma oportunidade extraordinária de toda a equipa poder ver o que eu vi aqui e de Portugal mostrar à América as suas capacidades criativas!
STORYBOX - Este fim-de-semana fui assistir a Storybox, um espectáculo criado pelo Jonattan Pitts (o produtor executivo do festival). E foi marcante. Fiquei absolutamente encantado com o formato e com o resultado, tanto que voltei lá no Domingo. Storybox é um espectáculo que utiliza técnicas visuais e narrativas para contar uma história sobre uma personagem (tudo improvisado e criado no momento, claro). Existem 8
storytellers (ST), munidos de bastões de madeira e panos. Um deles é músico e serve-se de um órgão, uma viola e outros instrumentos. O público escolhe se quer ver uma história sobre um homem ou sobre uma mulher e tudo começa. A primeira fase é a da criação da personagem. Um a um, os ST vão adicionando informação (nome, idade, aspecto, características psicológicas, manias, posses, animais de estimação, profissão, o que lhes vier à cabeça). Esses dados são fundamentais e todos serão utilizados na história. Depois começa a narrativa com a personagem em acção. Um dos ST torna-se a protagonista e os restantes utilizam os paus e panos para construir cenário, objectos, animais, adereços, e até coisas mais abstratas (cheiros, pensamentos, olhares, etc.). Existe um trabalho muito forte do conjunto para conseguirem esse feito com tanto sucesso (sim, aquilo funciona mesmo e é lindo - os paus de madeira são fantásticos e servem para tudo, assim como os panos). Mas o que mais me fascinou foi mesmo a capacidade de eles contarem uma história tão bem contadinha, sem descarrilarem no disparate ou em soluções fáceis. Não existe um narrador fixo, pelo contrário - qualquer um pode narrar e adicionar informação, a qualquer momento (para isto é preciso alguma coordenação e espírito de grupo para que se oiçam e se sintam, para não se atropelarem). A protagonista é muito humanizada e aprendemos desde cedo a conhecê-la bem e a gostar dela. Outras personagens que apareçam são descritas pelos narradores (idade, profissão, etc). Existem sub-histórias que são exploradas, existem saltos no espaço, muitas localizações e personagens. Há momentos para rir e momentos para chorar. Foi verdadeiramente emocionante ver a protagonista a passar por alguns maus bocados e depois conseguir encontrar-se e tornar-se uma pessoa diferente.

Resumindo, Storybox é um espectáculo (de mais ou menos 90 minutos, sem intervalo - que passa num instante) com uma estrutura complexa que exige um grupo sólido e coordenado. Ao contrário dos restantes espectáculos de Improv, este precisa mesmo de actores com formação de teatro e é aquilo cujo resultado final mais se assemelha com um espectáculo de Teatro convencional. Pode-se dizer que pertence a outro nível, mais artístico, menos dado à comédia e que funde bem as qualidades do Improv e do Teatro. No fim desfiz-me em elogios ao Jonatan, disse-lhe que isto é o Teatro do Futuro: verdadeiro, criativo, que depende da técnica, do espírito da equipa e do
instinto do actor. Ele gravou-me um DVD com um dos espectáculos que eu vi. A gravação é fraquita, mas dá para ter uma noção.
CONTO DE FADAS IMPROVISADO - Aproveitei as insónias para me levantar da cama e ir para o iO às 10h30 da manhã ver isto. Foi uma experiência engraçada. Infelizmente estava muito pouco público na platéia (10 crianças e 10 adultos, para aí), mas para a minha pesquisa isso não fazia diferença. Storytown conta com um elenco muito maior do que eu esperava: 4 actores, 1 apresentador/narrador, 1 músico ao piano e 1 cenógrafo (que faz corte, pintura e colagem de cartolinas que depois servem de adereços). Foi giro, usaram bem as ideias das crianças e criaram uma história dentro daquilo que são as peças para crianças (menina que quer ser famosa e não quer ir à escola, um animal, uma fada-madrinha e um vilão que no fim fica bom). A sugestão de local foi Paris e aproveitaram isso muito bem. Ah, e fazem um pouco de improv musical, etc. Interessante, sem dúvida.
WHIRLED NEWS TONIGHT - Estes eram os tais que faziam improv a partir de notícias de jornal que o público recorta e coloca num placard. Só vi a primeira parte, confesso que não me fascinou, talvez mais por eles. A ideia está certa: pegar numa notícia, ler o cabeçalho e o primeiro parágrafo e fazer cenas baseadas na notícia (não confundir com recriar directamente a situação da notícia). O que me chateou é que eles eram muito gag-makers, não sei, eram muito Second City.
SECOND CITY - Para clarificar o ponto anterior: Second City é uma instituição importante no panorama artístico americano. Formaram vários comediantes importantes e fornecem muito material para humor televisivo (Saturday Night Live, Mad TV, etc). Têm escolas em Chicago, Toronto e Los Angeles. A nível de Teatro, o seu principal negócio é o Sketch-Show, mas marginalmente fazem shows de improv. Normalmente os improvisadores percorrem os 3 centros de treino de Chicago (iO, Annoyance e Second City), sendo que cada um tem as suas especificidades: O iO é o long-form por excelência e tem o melhor estatuto intelectual; O Second-City é a máquina comercial que utiliza o improv como meio de testar e aperfeiçoar o sketch, e o Annoyance é o improv experimental e vanguardista. O Second City, não sendo o mais aliciante para os actores, é o que oferece melhores condições, por isso muitos vão lá parar. Como formação, o Second City oferece um curso misto: de escrita e improv. De manhã escrevem sketches, à tarde testam. O que resulta no actor é que ele se torna mais calculista em cena, uma máquina de gag-per-minute. Falta-lhe a verdade e a teatralidade (que, na verdade, só no teatro é que se aprende - e eu acho que faz a diferença).
OUTROS - Voltei a ver os Deltones, desta vez com o elenco principal, e agora sim, vi um improv musical com graça. Voltei a ver o Middle-Age comeback, não foi tão bom como na semana passada. E voltei a ver o 3033, que na semana anterior foi perfeito e esta semana foi bastante bom. Vi os Deep Schwa, que são o grupo mais doido que anda aí. Foi alucinante a forma como se divertiram a quebrar a estrutura e fazer daquele epectáculo uma trip pastilhada. E também vi alguns maus Harolds. Ai, é tão penoso quando aquilo não é bom... ver espectáculos sem substância, com o grupo dividido a lutar pela sobrevivência. Uffff...
Tinha mais coisas para dizer, mas acho que já chega.
Não, não chega!! Diz tudo! Go Chica Go, aah hmmm digo Pedro Go ;) (ok ok esta tem copyright do Inprovável Azul)
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