Apesar de não ser dia de aulas normais do curso, aproveitei para fazer uma série de coisas fixes, que passo a catalogar em quatro secções:
1- Workshop "TWO PERSON SCENE": por Jim Carlson. Foi espectacular e sempre a abrir, com os 8 alunos que chegaram primeiro para agarrar as vagas. Basicamente ele ensinou-nos técnicas para fazer 2-man shows, onde dois actores fazem montes de personagens (sim, tipo bipolar)! Fiz um exercício onde eu e outro tivémos de fazer 10 cenas com personagens diferentes e depois alternar entre as cenas de poucos em poucos segundos. Os resultados foram óptimos e é incrível como as cenas quase todas ganharam interesse e até se começaram a interligar! Estou doido para ver o espectáculo do Jim (http://chicago.ioimprov.com/io/shows/22). Diz que o record dele foi ter 35 personagens numa só cena! Acho que já vou voltar com técnicas na bagagem para resolvermos o nosso bipolar! AWESOME!!!
2- Workshop "THE DREAM": por Craig Uhlir. The Dream é um jogo que se faz no iO, entre um e outro Harold, é uma espécie de Intermezzo. Já vi um e achei muito interessante. Pega-se num voluntário do público e faz-se uma entrevista. Tenta-se que a pessoa descreva um dia interessante que tenha tido recentemente. A pessoa descreve. A entrevista leva 3 a 4 minutos. A partir daí, os actores vão representar aquilo que poderá ser o sonho da pessoa nessa noite. É muito giro, pelo lado onírico, pela fantasia e pela forma como se pega nos elementos dados pela pessoa e se aplica no sonho. (por exemplo, se ela esteve ao telefone com o pai enquanto o Obama estava na tv a discursar, no sonho o pai dela é o Obama) Não é um jogo long-form, é short, por isso quem sabe se em breve não estará na Casa da Comédia. AWESOME!!!
ps - ah, fizeram o meu sonho! Foi lindo, ri-me tanto tanto! Foi sobre o dia da minha viagem. A Susana a despedir-se de mim no aeroporto (no ar, movimentava-se em tecidos), eu a ser revistado em Frankfurt, eu em Chicago à toa, a tentar arranjar dinheiro e estar tudo fechado, depois no Hostel com lençóis sujos, e finalmente com um encenador a dizer que está tudo mal. Contado não tem graça, mas eu quis contar à mesma, porque foi delirante!
3- IMPROVISED SHAKESPEARE: Fui ver este espectáculo, sobre o qual já tinha ouvido falar maravilhas, e fiquei encantado. Os tipos são mesmo bons! Conseguem (re)criar peças de Shakespeare do pé para a mão (em dois actos, 1h30). Utilizando a mecânica das peças dele, a linguagem arcaica e poética do génio e as personagens-tipo, aqueles cinco rapazes fizeram magia. Há ali muito trabalho e estudo, vê-se bem. A estrutura da peça improvisada era óptima, as personagens perfeitamente Shakespereanas e o plot também. Havia o Duque, as duas filhas (depois havia uma terceira, a rejeitada, que era... um balde de nhanha falante), Malvéolo - o vilão, o conselheiro maquiavélico, os costureiros, o mensageiro e tantas outras. Claro que havia muuuita parvoice delirante e o povo ria-se a bandeiras despregadas. Mas parvoice boa, criada na altura, com os actores a divertirem-se no delírio, mas a conseguirem controlar a estrutura. Não são peças de Shakespeare, mas podiam perfeitamente ser. Para a semana vou ver outra vez. AWESOME!!!
4- COMEDY SPORTZ: Por fim, lá decidi que tinha de ir ver a concorrência, para tentar perceber se os Improváveis estavam muito atrás dos mestres da comédia short-form de Chicago (http://www.comedysportzchicago.com/). A resposta é: NÃO! ESTAMOS À FRENTE DELES!!! Quando a Sanne nos disse que achava o nosso espectáculo mais divertido do que os da Holanda, achámos duvidoso. Mas agora acredito! Sim, o Comedy tem um cenário todo pi-pi, tem uma sala ampla, tem video-wall, músico (órgão) e efeitos sonoros (sim, para além do músico há um tipo que põe músicas populares e ritmadas para espevitar o público). Duas equipas de 3 actores e 1 ref. Tudo muito bem empacotadinho, muito show-off, muita luz, cor e movimento, mas... com pouco interesse. Ficou falso, plástico, fast-laugh-take-away. Os Improváveis são genuínos, são divertidos e criam uma relação próxima e autêntica com o público. E os jogos são feitos com esforço e entrega e é tão bom quando não correm tão bem! E procuramos interesse nas cenas, vivacidade e teatralidade. E por vezes temos momentos de pura magia. O que eu vi ali foi de um desintresse absoluto e de uma superficialidade atroz. NOT AWESOME!!!
:)
ResponderEliminarNuno Q
Estou impressionado!!! Não só ousas comparar-nos com os grupos de teatro desporto da capital mundial do improv como afirmas que nós ainda somos MELHORES!?!?! Eh pá, se é assim... Hoje a Casa da Comédia, amanhã o Mundo uuahahahaAAHAHAAH (gargalhada de louco)
ResponderEliminarUAUUUU, tanta coisa ao mesmo tempo!!! Só podias ser um Improvável (para rimar com "imparável"). Granda Petroni.
ResponderEliminarAbsorvei absorvei
Quando voltares a Lisboa
A coisa boa
É que te chamaremos de REI!!!
Beeemmm... tou abismado com a cena dos improves de lá. Achava que tudo estivesse mais fasquiado por alto... Mas afinal prova-se: A falta do genuíno realmente mata tudo. Inventar muita coisa técnica e tudo muito by the book pode ser mesmo contraproducente. Fiquei curioso com o Sonho e também com o Shakespeare Improv. O 1º deve ser ensaiar uma beca; O 2º, achas que dá pra pegar cá? E transpor para clássicos nossos?
ResponderEliminarDon't take it the wrong way. A fasquia está em alta. Os gajos do Comedy Sportz é que não estão em alta, mas eles quase não fazem parte da cena do improv cá da terra. São os únicos (com alguma visibilidade) a fazer short, os bons improvisadores estão nas tintas para short, estão no iO a fazer long e no Second City a ganhar $ a fazer sketch com.
ResponderEliminarQuanto ao Sonho, sim, é ensaiar uma beca, na boa.
O Shakespeare: já me questionei se pegaria em Portugal e acho que se calhar não pegava tão bem. Nos EUA eles têm a cultura de Shakespeare entranhada, tiveram de estudar na escola, tiveram de representar nos teatrinhos, têm a cultura do inglês arcaico. Em Portugal não. E nem sei bem como nos podemos apoderar das expressões Shakesperianas. Não é que não fosse possível, mas acho que para a trabalheira que dava, mais vale investir esse tempo de ensaios em outras coisas.